ELISA RIBEIRO
DA REDAÇÃO
O Governo Federal, por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, reconheceu o estado de emergência em diversos municípios dos estados de Mato Grosso e Goiás devido aos intensos incêndios florestais que vêm assolando a região.
Com o reconhecimento, as prefeituras dos municípios afetados agora têm a possibilidade de solicitar recursos do Governo Federal para ações de defesa civil.
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As solicitações devem ser feitas por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD) e, com base nos planos de trabalho enviados, a equipe técnica da Defesa Civil Nacional avalia as metas e os valores solicitados. Após aprovação, uma portaria é publicada no Diário Oficial da União (DOU) com o valor a ser liberado para cada município.
Dezenas de cidades mato-grossenses foram incluídas no decreto, incluindo a capital Cuiabá, o que indica a gravidade da situação.
Fogo em áreas de vegetação
Segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o número de focos de incêndios em região de mata ou áreas não-urbanas em geral chegaram a 139 mil em 2024, contra 69 mil em 2023, que havia sido bem abaixo do ano anterior, 2022, quando atingiu 95 mil. Os números de 2024, embora as ações de fiscalização tenham aumentado, reforçam a combinação entre o caráter conjuntural das mudanças climática e a ação humana proposital.
Na audiência no Senado, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou a mudança de perfil dos incêndios na Floresta Amazônica, que vem perdendo umidade e que, com isso, poderá se tornar vulnerável aos incêndios naturais: 32% das queimadas acontecem em áreas vegetação florestal, onde o percentual, até pouco tempo, não passava de 18%.
“Isso significa que nós estamos num processo severo de mudança do clima e a floresta está sendo queimada, seja em função de ação humana ou dos eventos naturais”, disse. Segundo dados do MapBiomas, em 2024, os incêndios em áreas de mata atingiram, a cada cinco dias, um território equivalente à cidade do Rio.
Marina tem destacado a retomada das ações de controle do desmatamento no Brasil, que já resultou na redução de 49,8% do desmatamento na Amazônia de janeiro a dezembro de 2023 e em queda de 40,5% de janeiro a maio de 2024, ambas em relação ao período anterior. O principal desafio é o combate ao desmatamento no Cerrado, onde a legislação impõe menos reserva legal. Na região, os resultados das ações começaram a aparecer neste ano, com queda de 12,9% de desmatamento nos cinco primeiros meses na comparação com o mesmo período de 2023 — em contraste ao aumento de 43,6% ao longo de todo o ano passado.
Confira a lista dos municípios em estado de emergência reconhecido pelo Governo Federal:
- Acorizal
- Alto Araguaia
- Alto Garças
- Alto Paraguai
- Alto Taquari
- Araputanga
- Arenápolis
- Barra do Bugres
- Cáceres
- Campo Novo do Parecis
- Campo Verde
- Chapada dos Guimarães
- Cuiabá
- Curvelândia
- Denise
- Diamantino
- Dom Aquino
- Figueirópolis D`Oeste
- Glória D`Oeste
- Guiratinga
- Indiavaí
- Itiquira
- Jaciara
- Jangada
- Jauru
- Juscimeira
- Lambari D`Oeste
- Mirassol D`Oeste
- Nobres
- Nortelândia
- Nossa Senhora do Livramento
- Nova Brasilândia
- Nova Marilândia
- Nova Olímpia
- Pedra Preta
- Planalto da Serra
- Poconé
- Pontes e Lacerda
- Porto Esperidião
- Porto Estrela
- Poxoréo
- Primavera do Leste
- Reserva do Cabaçal
- Rio Branco
- Rondonópolis
- Rosário Oeste
- Salto do Céu
- Santa Rita do Trivelato
- Santo Afonso
- Santo Antônio do Leverger
- São José do Povo
- São José dos Quatro Marcos
- São Pedro da Cipa
- Tangará da Serra
- Tesouro
- Vale de São Domingos
- Várzea Grande
- Vila Bela da Santíssima Trindade