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Polícia Sexta-feira, 07 de Junho de 2024, 10:28 - A | A

07 de Junho de 2024, 10h:28 A- A+

Polícia / AUDITORIA MILITAR

Em Goiás PMs viram réus por torturar e tentar matar major em curso e forjar causa

Oficial da PM de Goiás foi parar na UTI após treinamento e superiores tentaram forjar Covid como causa, diz denúncia do Ministério Público

THALYS ALCÂNTARA
DO METRÓPOLES

Sete policiais militares de Goiás acusados de torturar e tentar matar um major durante um curso do Batalhão de Operações Especiais (Bope) se tornaram réus em processo na Auditoria Militar do estado. A decisão do juiz Érico Mercier Ramos foi publicada na quinta-feira (6/6).

Reportagem do Metrópoles de 13 de maio deste ano revelou que um major da PMGO foi torturado com varadas, pedaços de madeira e açoites de corda durante três dias seguidos no 12º Curso de Operações Especiais do Bope, na Base Aérea de Anápolis, segundo denúncia do Ministério Público.

O caso aconteceu em outubro de 2021, mas o processo correu em sigilo e fora do conhecimento público até a publicação da reportagem, que teve acesso à investigação sigilosa.

O caso

Apuração da corregedoria da própria PM de Goiás indicou que os réus esconderam o caso da família do major e tentaram fingir que o oficial estava internado com Covid-19. Segundo o MP, a ideia era que o major morresse no hospital e fosse enterrado em caixão lacrado, impedindo a investigação do crime.

Desprezado

Segundo as investigações, o major levou tanta pancada que ficou em estado gravíssimo na UTI. Ele ficou em coma profundo, com lesão neurológica grave, sem responder a nenhum estímulo e com rabdomiólise, que é uma ruptura do tecido muscular que resulta na liberação de uma proteína no sangue que, por sua vez, danifica os rins. 

O major conseguiu se recuperar consideravelmente, após muitas sessões de fisioterapia, mas ainda tem uma perda parcial de movimentos e 30% dos rins comprometidos. O oficial torturado ainda ficou muito abalado emocionalmente por ter sido desprezado pelos seus companheiros de farda, diz a denúncia do MP.

Cautelares

O juiz que tornou réus os PMs determinou ainda que os réus estão proibidos de se aproximar das vítimas e das testemunhas, além da proibição de participar de cursos e treinamentos.

A audiência de qualificação do caso foi marcada para 12 de setembro deste ano. Também foi determinada a formação do conselho de justiça, formado por militares, que define a sentença nesse tipo de julgamento militar.

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O magistrado não acatou o pedido do Ministério Público de afastar os policiais das atividades operacionais ostensivas, com suspensão de armas e recolhimento de armamentos. O juiz da Auditoria Militar entendeu que isso seria desproporcional, pois os fatos aconteceram em 2021 e não há notícias de que os réus voltaram a fazer algo ilegal.

Réus

Foram denunciados por tortura omissão e tentativa de homicídio qualificado os coroneis David de Araújo Almeida Filho e Joneval Gomes de Carvalho Junior, além do tenente-coronel Marcelo Duarte Veloso.

Joneval ainda é Chefe da Superintendência de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSPGO).

Já os seguintes militares se tornaram réus por tortura qualificada: capitão Jonatan Magalhães Missel, segundo sargento Erivelton Pereira da Mata, cabo Leonardo de Oliveira Cerqueira.

Já o capitão Jonatan Malhães Missel, coordenador do curso do Bope, se tornou réu por tentativa de homicídio.

A reportagem entrou em contato com a Polícia Militar de Goiás e aguarda um retorno. No mês passado, a PM enviou uma nota afirmando que todos os procedimentos cabíveis foram adotados em Inquérito Policial Militar.

Metrópoles tenta contato com os advogados dos réus. Também no mês passado, a defesa do coronel Veloso não quis se manifestar sobre o processo, alegando que ele é sigiloso.

 

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