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Política e Eleições Sexta-feira, 02 de Fevereiro de 2024, 16:32 - A | A

02 de Fevereiro de 2024, 16h:32 A- A+

Política e Eleições / DERROTADO NO JUDICIÁRIO

Professor da UFMT vence na justiça ação por danos morais movida pelo deputado Abilio por gesto supremacista

Deputado federal Abilio buscava ser indenizado por conta de análise feita pelo docente da Federal na CPMI do 8 de Janeiro

ELISA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

O  jornalista e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Bruno Araújo, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Poder (PPGCOM) da instituição, Bruno Araújo foi absolvido em ação de danos morais movida pelo deputado federal Abilio Brunini (PL). Decisão saiu essa semana.

Na decisão, o juiz Jamilson Haddad Campos, do 3º Juizado Especial Cível de Cuiabá, afirmou que a entrevista concedida pelo professor não feriu a imagem do deputado, sendo descabido o dever de indenizar. 

Na ação, Abílio alegou que a declaração do professor é uma "falsa acusação grave em seu desfavor" e, por isso, requereu a reparação.

“Verifica-se que o reclamado concedeu entrevista ao Jornal Digital Olhar Direto, como crítico e pesquisador especialista no tema politica e democracia, trazendo em seu teor conteúdo histórico e fundamentado acerca do gesto analisado pelo cientista, e aqui, ressalta-se que não se faz juízo de valor sobre o gesto em si, ante a própria complexidade de seus desdobramentos”, escreveu.

“Se adentrarmos ao gesto em si, podemos levar em consideração todo o discurso do reclamado que, como pesquisador científico do tema, nos informa sobre a possibilidade do gesto com o parâmetro vivenciado no país e toda sua conjuntura política, ou seja, cunho informativo e instrutivo sobre a construção estrutural do ‘White Power’, em tradução ‘Poder Branco””, acrescentou.

No ano passado, o docente, que desenvolve pesquisas e análises de eventos políticos e midiáticos, havia concedido entrevista a um site  de nóticias e que foi publicada no dia 26 de agosto deste ano. 

Na matéria, Araújo analisa, na qualidade de pesquisador e autoridade na área, a polêmica envolvendo um suposto gesto supremacista feito por Abílio durante a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do 8 de Janeiro e o contexto de mobilização do movimento bolsonarista. O gesto analisado era o símbolo de “OK” com uma das mãos, que é relacionado a grupos supremacistas brancos.

Na época, o parlamentar alegou em nota que o professor teria divulgado fake news contra ele.

Em nota, o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFMT (PPGCOM), do qual Bruno Araújo é membro docente, defende que o professor é vítima de perseguição política e, ainda cita, que a perseguição por meio judicial “é uma conhecida estratégia usada pela extrema direita para censurar o saudável debate acadêmico e social”.

 

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Em vídeo gravado em 24 de agosto de 2023, durante uma sessão da CPMI sobre os Atos Antidemocráticos, o deputado federal fez um gesto que seria idêntico àquele conhecido como “ok invertido”, um símbolo ligado ao movimento supremacista branco. O gesto é condenado por entidades nacionais e internacionais que o reconhecem como um símbolo de ódio e extremismo.

A atitude de Brunini teve repercussão nacional e foi comentada por diversos especialistas, incluindo Araújo. O deputado nega ter feito o gesto supremacista e justifica que fez apenas o sinal de número três com a mão, mantendo um círculo com os outros dedos. Em nota, ele acusa o professor de divulgar fake news e diz que aguarda o resultado da justiça

Os professores e professoras do PPGCOM, na nota, manifestaram apoio ao docente, que foi informado da ação em novembro. Houve uma audiência de conciliação.

"Araújo é um profissional com sólida trajetória de investigação científica no campo dos estudos sobre mídia e populismo e desenvolve, atualmente, uma série de pesquisas e análises de eventos políticos e midiáticos que incluem não apenas, mas também, atores do cenário político de Mato Grosso. Em uma democracia, é fundamental garantir que professore(a)s e pesquisadore(a)s possam exercer sua liberdade de cátedra e sua liberdade de expressão, amplamente asseguradas por nossa Constituição Federal, pelo Pacto de Direitos Civis e Políticos e pela Convenção Americana sobre Direitos Humanos, sem que haja qualquer tipo de censura ou limitação ao livre exercício da manifestação de pensamento. Esses direitos incluem a liberdade de realização de pesquisas e de suas divulgações por intelectuais, pela imprensa e pela universidade", defendem no documento.

 

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