ELISA RIBEIRO
DA REDAÇÃO
O Ministério Público Estadual se manifestou contra a redução da fiança de R$ 8 mil arbitrada para a concessão da liberdade provisória de Romero Xavier Mengarde, acusado de ser o mandante do assassinato da produtora rural Raquel Maziero Cattani.
Ao homologar o auto de prisão em flagrante, o juiz Fábio Petengil fixou o valor de R$ 8 mil, que até o momento não foi paga.
Na manifestação ministerial, o promotor Saulo Martins destacou que o acusado se declarou produtor rural e possuir um imóvel e não comprovou ser hipossuficiente.
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“Por isto, até porque o custodiado não promoveu a juntada de nenhum documento capaz de comprovar a renda ou sua debilidade financeira, entendo que não deve haver a redução da fiança, tampouco exoneração do pagamento. Para além disso, tendo a prisão ocorrido no dia 25/07/2024, não se tem um parâmetro objetivo de tempo razoável para evidenciar a completa hipossuficiência financeira do custodiado. Desta feita, sem mais delongas, tendo em vista que os elementos carreados aos autos não demonstram que a situação econômica do autuado Romero Xavier Mengarde não comporta o pagamento da fiança, no patamar em que fora fixada, o Ministério Público Estadual, por intermédio de seu agente signatário, manifesta-se pela manutenção do valor fixado”, concluiu.
Além do pagamento de fiança foram fixadas as medidas: proibição do custodiado de possuir, portar, transportar, receber e adquirir arma de fogo e munições de qualquer calibre, seja de forma lícita ou ilícita, sendo autorizada sua imediata prisão e condução ao cárcere em caso de desobediência à restrição aqui imposta; suspensão de eventual autorização concedida ao custodiado de guardar, transportar, deter, possuir ou portar arma de fogo; comparecimento mensalmente em juízo para informar seu endereço atual, telefone e atividade laboral exercida e proibição do custodiado de se ausentar da Comarca por período superior a cinco dias, sem autorização judicial.
Entenda mais o caso
Após diligência, análise de evidências e oitivas de dezenas de pessoas auxiliaram as equipes investigativas, a Polícia Civil chegou aos supostos autores do crime. Conforme as investigações, Romero planejou o crime e o irmão dele matou a vítima e montou a cena na residência para que parecesse um crime patrimonial.
O crime ocorreu no assentamento Pontal do Marape, a 150 quilômetros da cidade de Nova Mutum, onde a vítima residia e trabalhava.
Durante a análise no local do crime, um investigador notou que a janela do quarto dos filhos da vítima havia sido arrombada. Diante dessa evidência, foi solicitada a extração de eventuais impressões digitais, que foi realizada pela Perícia Oficial e Identificação Técnica de Mato Grosso (Politec).
A equipe da Polícia Civil, ainda no local, apreendeu um televisor que continha também algumas pegadas.
As diligências prosseguiram e, diante da desconfiança de uma cena que poderia ter sido armada, a atenção foi voltada ao ex-marido, que mantinha comportamento possessivo e não aceitava o término da relação com a vítima.
Em novos levantamentos, a Polícia Civil descobriu que o irmão de Romero, o suspeito Rodrigo Xavier, tinha diversas passagens por furtos e outros crimes, além de ter sido usuário de entorpecentes no passado.
Um dos pontos investigados foi que Romero, até antes do término da relação, se mantinha distante do irmão. Contudo, após o fim do casamento, ambos passaram a se encontrar e trocar mensagens
Em seguida, equipes da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos e da Regional de Nova Mutum se dirigiram até o endereço de Rodrigo, na cidade de Lucas do Rio Verde. Após horas de vigilância, ele chegou na residência e, ao ser entrevistado, apresentou muito nervosismo com a presença dos policiais.
Da porta que estava aberta, as equipes observaram um frasco de perfume feminino, em cima de uma bancada. Diante da evidente suspeita, ele confessou o homicídio de Raquel Cattani.
Na casa foram encontrados frascos de perfume, um aparelho de som, um cinto, um porta-celular e uma faca, todos os objetos pertencentes à vítima.
Durante a entrevista, a equipe investigativa reuniu informações que esclareceram que Rodrigo praticou o crime a mando do irmão, Romero, e levou alguns objetos da casa para simular um latrocínio e embaraçar as investigações da Polícia Civil.
Durante a prisão de Rodrigo, os policiais civis verificaram que a bota que ele utilizava naquele momento possuía total semelhança com a pegada encontrada na televisão na casa da vítima.
Simulou comoção
O autor intelectual do homicídio de Raquel levou o irmão no próprio carro para Nova Mutum e o deixou escondido nas proximidades do sítio PH, de propriedadede Raquel Cattani.
Ao longo do dia do crime, Romero almoçou com o ex-sogro e, inclusive, chorou na frente dos familiares da vítima. Após almoçar, levou os filhos do casal para Tapurah, a fim de criar o álibi e afastá-los do crime planejado.
Durante a tarde do dia 18 de julho, ele chamou algumas pessoas com quem nem tinha muita convivência para beber e assar carne. No período da noite, foi a três boates em Tapurah para reforçar o álibi de que estaria da cidade e, assim, não seria considerado o principal suspeito.
Por outro lado, Rodrigo ficou à espreita da vítima até ela chegar ao sítio. Romero sabia da rotina de Raquel e, de forma planejada, havia retirado o casal de filhos da residência anteriormente.
Ao chegar no sítio por volta de 20 horas da quinta-feira, a vítima foi atacada com uma faca e foi a óbito no local.
Em seguida, Rodrigo subtraiu alguns objetos da casa, quebrou a televisão na parte de fora e levou a moto da vítima com o destino a Lucas do Rio Verde.
O executor do crime jogou a motocicleta, o celular e a faca do crime em um rio da região.