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27 de Março de 2024, 13h:49 A- A+

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Cabelos contrabandeados apreendidos viram perucas solidárias em presídio de MS

Detentas do Estabelecimento Penal Feminino Irmã Irma Zorzi, em Campo Grande (MS), transformam os cabelos contrabandeados, apreendidos pela Receita Federal, em perucas para pacientes em tratamento contra o câncer

PAULA VALÉRIA
DA REDAÇÃO

A Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), por meios das unidades prisionais, tem implementado diversas ações que geram benefícios sociais diretos para a população. Um dos exemplos, acontece no Estabelecimento Penal Feminino Irmã Irma Zorzi (EPFIIZ), em Campo Grande (MS), onde cabelos contrabandeados, apreendidos pela Receita Federal, estão sendo transformados por detentas em perucas para pacientes em tratamento contra o câncer.

Esse é um exemplo inspirador de como iniciativas dentro do sistema prisional podem ter impactos positivos tanto para as detentas quanto para a comunidade externa. Ao transformar cabelos contrabandeados em perucas para pacientes em tratamento contra o câncer, as detentas não apenas estão contribuindo para uma causa nobre, mas também estão encontrando uma forma de se envolver em uma atividade significativa durante o cumprimento de suas penas.

O projeto não apenas ajuda a fornecer perucas para aqueles que lutam contra o câncer, proporcionando um pouco de conforto em um momento difícil, mas também oferece às detentas a oportunidade de se envolverem em algo positivo e construtivo. Além disso, ao aprenderem habilidades de confecção de perucas, elas podem adquirir competências que podem ser úteis quando deixarem a prisão, aumentando suas chances de reintegração à sociedade.

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O delegado regional da Receita Federal, Zumilson Custódio da Silva, destaca um aumento expressivo na apreensão de cabelos nos últimos anos, com um crescimento de 800% em apenas um ano. Em 2023, quase 1900 kg do material foram apreendidos, em comparação com os 200 kg de 2002.

Silva explica que Mato Grosso do Sul serve como rota para cabelos contrabandeados da Ásia, destinados aos grandes centros do Brasil, como São Paulo e Rio de Janeiro.

"Temos uma grande fronteira seca com o Paraguai e a Bolívia, é um produto fácil de ser transportado, com alto valor agregado e a cada dia mais demandado no mercado da beleza", afirma Silva.

O projeto tem como objetivo produzir cerca de mil perucas com os cabelos repassados pela Receita Federal, que será responsável pela distribuição das peças.

Além dos cabelos, outros insumos são necessários para a produção, como telas e linhas, custeados pela própria unidade prisional por meio da venda de produtos produzidos no Setor de Artesanato do presídio.

A diretora do EPFIIZ, Mari Jane Boleti Carrilho, destaca os benefícios mútuos desta iniciativa. Além de contribuir diretamente para a sociedade, proporciona ocupação produtiva para as reeducandas, permitindo-lhes remir um dia de pena a cada três dias de serviço prestado.

"Acreditamos que é uma ação muito positiva e de benefício mútuo, pois contribui diretamente com a sociedade e, ao mesmo tempo, oferece ocupação produtiva e ajuda a capacitar profissionalmente nossas custodiadas, além de incutir novos valores psicológicos e humanos", defende Mari Jane.

Dirce Ramos, artesã e instrutora voluntária responsável por ensinar as custodiadas a confeccionarem as perucas, destaca o impacto positivo que estas peças têm na autoestima das pacientes.

"As perucas são recebidas com muita alegria, pois as pacientes elevam sua autoestima e saem de lá com muito mais confiança para continuar seu tratamento", afirma Dirce, que há mais de oito anos atua em ações da Rede Feminina.

Uma das internas que participam da confecção é A. L. S. S., que compartilha sua experiência pessoal de enfrentar o câncer e perder os cabelos. Ela relata ter entrado em depressão quando perdeu seus cabelos, mas agora encontra gratificação em ajudar outros que passam pelo mesmo desafio.

"Quando fiquei careca, entrei em depressão, não tinha vontade de fazer nada, agora posso com meu trabalho ajudar quem está passando pelo que passei e isso é muito gratificante", afirma a reeducanda, que vê na aprendizagem da arte de costurar na unidade prisional uma possibilidade de trabalho lícito após sua liberdade.

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