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12 de Fevereiro de 2024, 17h:28 A- A+

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"Vai faltar soja para consumo interno no Brasil", declara Aprosoja Brasil

Estimativa oficiais e de consultorias ainda não refletem realidade de perdas dos produtores

PAULA VALÉRIA
DA REDAÇÃO

A Aprosoja Brasil, preocupada com o movimento de queda de preços, combinado com os elevados custos de produção e a queda de produtividade na safra atual. A entidade alerta os produtores de soja e milho sobre a importância de redobrar a cautela e os cuidados antes de fecharem negócios nos próximos meses.

A Aprosoja recomenda aos agricultores que adotem uma postura prudente em relação às vendas e compras no momento. A associação orienta os produtores a não realizar vendas imediatas ou futuras, não adiantar compras por pressão das empresas e não fazer investimentos ou planejamento para aumentar a área cultivada.

A entidade aconselha os produtores a não realizarem compras de fertilizantes, sementes e defensivos agrícolas. Segundo a associação, os preços desses insumos aumentaram nas últimas três safras e ainda não retornaram ao patamar normal para uma boa relação de troca.

Sendo assim, essa recomendação é dada aos agricultores para que evitem gastos excessivos e tomem precauções diante da incerteza econômica e do alto custo dos insumos. Orientando os produtores a aguardarem uma melhora nas condições de mercado antes de investirem em insumos agrícolas.

Com os preços atuais abaixo dos 100 reais por saca, pela primeira vez em três anos, houve, em média, redução de 33% da receita da atividade em comparação com a safra passada.

No início do plantio da safra 2023/2024, as contas estavam dando algum lucro ou empatando, em algumas praças, se houvesse uma boa produtividade. Porém, com as perdas em função de fatores climáticos, as margens já estão negativas em muitos estados.

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Tomando Mato Grosso como exemplo, o dado do IMEA apresentado dia 11 de janeiro na Câmara Setorial da Soja, para a análise de sensibilidade da margem da soja, apontava que para cotação de 100 reais a saca e produtividade estimada pelo órgão de 50 sacas por hectare, a margem de lucro seria de 128 reais, já indicando incapacidade de pagamento de parcelas de investimentos. Contudo, tomando a região de Sorriso como exemplo, a soja está cotada na região em torno de 94 reais, o que retorna margem negativa, com prejuízo de 122 reais por hectare.

Considerando que ainda não colhemos 20% da safra em nível nacional, que os produtores ainda enfrentam alta incidência de doenças, anomalias fisiológicas, prognóstico climático pouco animador, ainda são esperadas perdas maiores para a safra. No caso de Mato Grosso, a média estimada pela Aprosoja é de 49 sacas por hectare, até o momento.

Com um consumo de 56,8 milhões de toneladas e a previsão de 98,4 milhões de toneladas para exportação, resultando em estoques de milhões 3,5 milhões de toneladas, isto por si só já representaria um estoque negativo de 2,8 milhões de toneladas, já considerando uma importação de 600 mil toneladas de soja. Portanto, é essencial que produtores revejam as contas, projetem os prejuízos e alterem suas estratégias para a nova realidade.

Estimativas de safra

A estimativa de 149,5 milhões de toneladas de soja para a safra 2023/2024 divulgada nesta quinta-feira (8) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que representa uma redução de 3,8% em relação à projeção anterior, continua muito acima dos 135 milhões de toneladas estimados pela Aprosoja Brasil com base nos dados fornecidos por produtores associados das 16 Aprosojas estaduais.

Na avaliação do presidente da entidade, Antonio Galvan, a diferença entre as estatísticas oficiais e os números levantados pelos próprios produtores se deve ao tipo de metodologia adotada pela Conab e por consultorias privadas.

“Os métodos padrões utilizados, com imagem por satélites ou análises visuais de campo, são eficientes quando há uma certa normalidade nas lavouras. O problema é que a safra atual foi marcada por grandes irregularidades. Por isso, usando esses métodos, a Conab e as consultorias estão alcançando apenas impactos que são mais facilmente notados”, afirma.

Galvan acrescenta ainda que essas metodologias não conseguem captar problemas em lavouras que estão visualmente boas, mas que ao colher se percebe que o enchimento do grão foi afetado e os grãos apresentam problemas fisiológicos e anomalias.

“Para ter uma informação real, somente o que sai da colheitadeira reflete este número mais exato. Aos métodos tradicionais não medem o real impacto nas lavouras”, ressalta.

“Risco de desabastecimento”

A Conab projeta aumento no consumo interno de soja, de 55.467 milhões de toneladas para 56.862 milhões de toneladas e prevê queda nas exportações, de 101.862 mi/ton para 98.453 mi/ton. Pelas previsões atuais da Conab, já haverá falta de produtos. Segundo Galvan, com os dados projetados pela Aprosoja Brasil, a quebra de safra é inevitável. Diante do cenário, o dirigente questiona de onde virá a soja para abastecer o consumo interno.

“Vai faltar grãos para alimentar o frango, suíno e o boi. Os animais vão ter de entrar em dieta, pois vai faltar soja e milho no Brasil, tanto para a exportação quanto para o consumo. O risco de desabastecimento é real”, alerta o presidente da Aprosoja Brasil.

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